E ali se encontrava Sofia, com um bilhete grátis para a entrada do "Caminho para a felicidade", mas com o medo de se voltar a magoar-se, perferiu recusar. Virou costas e subiu as escadas, paço a paço, muito lentamente. O som das sabrinhas era quase nulo, apenas se conseguia ouvir a respiraçao de indecisão dela, as parende das escadas onde ela subira eram estreitas e brancas, assim fazendo com que ela se sentisse "apertada" e com medo de algum sentimento que viesse atrás ou que a apanhasse pela frente, sem ela poder dar por isso...
Ao subir as escadas encontrou novamente aquela porta castanha, a porta que quando ela abre e entra, encontra o seu mundo. Sofia decide entrar sem se quer pensar duas vezes. Aquele local permanecia tal e qual como ela o deixara de manhã, os estores estavam completamente fechados, a luz e a televisão desligada, a única luz que dava vida aquele local é a luz do ecrã do seu computador, objecto que ela usava todos os dias para desabafar sobre todos os problemas que ela tinha.
É constragedor como uma adolescente de dezasseis anos vivia assim, mas sim, é assim que ela se governava todos os dias. Por mais que os seus pais tentassem aproximar-se dela, ela não conseguia ganhar novamente confiança neles, seria tarde demais e na cabeça dela não haveria mais nada que eles podessem fazer. Para Sofia os seus pais, no que toca a relações afectivas era o seu computador, principalmente o bloco de notas. Era lá que ela falava sobre tudo, é lá que ela falava sobre todos os seus sentimentos. Mas continuando a história...
Sofia sentou-se na cama, fez mais um dos tantos cigarros que ela já fumara, como todos os dias acontece. Ao olhar para a sua secretária que se encontrava à sua esquerda, depara-se com mais uns objectos que a teriam ajudado imenso contra a dor, o seu x-acto branco, onde ainda se encontrava marcas de sangue da última vez que ela se cortara para se castigar por tudo o que acontece naquela casa, uma caixa de comprimidos Xanax 1,5 mg, que ela tomara quando teve ataques de pânicos mas que agora era o único remédio para ela conseguir dormir e descançar, e um copo com água até a meio.
Ao olhar para todas aqueles "amigos" ela levantou-se novamente da cama e foi caminhado em direção à secretária. As sua pernas tremiam de receio de cair novamente na tentação, a tua respiração acelerou e a sua cabeça começou a mostrar vontade de poder cometer aquela "alegria" novamente. O olhar dela desviara-se por breves instantes para as parede que se encontravam à frente dela, parede essa onde estariam todas as recordações e lembranças de várias pessoas com que ela se dava e variadíssimas fotografias que Sofia tirara da net com imagens de drama, paixão, sofrimento, entre outras fotografias negras. Ao visualizar aquela parede Sofia vai-se abaixo, sentou-se imediatamente no chão e pensa: "No que me tornei? Como consegui chegar a este ponto de criar o meu próprio mundo? Pior e agora o que faço e não consigo aceitar a ajuda de ninguém, nem dos meus próprios pais." Dizer-lhe para ela se aproximar, já não era soluçao. Cada vez que ela tentava o seu mundo, no primeiro andar daquela vivenda, parecia que gritava por ela para ir lá para dentro daquelas quatro paredes, e ela fraca de tal ponto que se tornara, ia sem pensar...
Passado cinco minutos, sentada naquele chão de pedra gelada, Sofia levantou-se. As lágrimas corriam-lhe pela cara e o seu soluçar era impressionante. Abriu a caixa de comprimidos e tirou cinco Xanaxs, aquela quantia era demasiado para ela, mas da maneira como ela se encontrava, o seu cérebro nem pensara nisso. Sofia deitara os comprimidos sobre aquela secretária e seguiu em direcção à cama onde se encontrava o seu computador, o seu maior desejo era meter uma música de piano e assim fez. O seu quarto, para além de parecer o fim de um labirinto escuro, agora, tornara-se um local de música deprimente e calma. De seguida, apagou o cigarro e voltou para ao lado da secretária onde se encontrava os cinco comprimidos que ela dois minutos antes tinha retirado da caixa. Pegara no copo com uma mão e nos comprimidos com a outra e foi aí que aconteceu tudo novamente. O copo ficou totalmente vazio, como o espirito de Sofia. As lágrimas voltaram a transbordar nos olhos daquela rapariga que tudo o que queria, era ser feliz com seus progenitores, mas sem sucesso desde à dez anos atrás. O paço seguite foi sentar-se em cima do cobertor que ela metera no chão, e levar consigo o x-acto. Olhou para os seus braços e pensou: "Aqui, mais uma vez, irá ficar marcada a tua estupidez e a tua burrice de teres deixasto isto chegar a este ponto" e deu o primeiro corte. O sangue escorreu pelo seu braço assim que ela se mutilou. Voltou a fazê-lo mais seis vezes, assim deixando ao todo, sete marcas. O sangue parecia um rio sem fim e, juntamente com o sangue estavam lágrimas, não se sofrimento por aquela dor mas sim de sofrimento de todas as imagens que passaram-lhe pela cabeça enquanto ela realizava aquela loucura...
Por fim de todo estes actos a sua cabeça ficou à roda e, sem mais nem menos, Sofia cai para trás com o efeitos de todos aqueles comprimidos e adormece...
A sua expressão facial enquanto dormia, enquadrava-se perfeitamente ao estado em que ela estava. As lágrimas no seu gosto e o sangue espalhado pelo seu braço e pela sua camisola...
E ali ficou Sofia, novamente num estado que para ela era perfeitamente normal.

